Thursday, February 23, 2006

Match point - senta que lá vem a história!

Dizer que o filme é genial é redundante.

O Woody Allen é genial.

E qualquer filme dele faz com que eu me enxergue em vários momentos, com que eu me sinta muito menos sarcástica do que eu ainda hei de ser; me faz ver, fora da minha cabeça, cenas patéticas que eu já vivi. Me ensina a rir de mim mesma. É quase uma sessão de terapia. Não por serem gostosos de assistir, mas porque me provocam questionamentos. E os rever traz outros, e outros...

O Allen consegue simplificar o que é complexo e manter a profundidade. E isso exige um pouquinho de sensibilidade do espectador para entender. Mas não quero dizer que que quem não percebe nada disso ou não gosta seja insensível. Talvez não esteja afim de enxergar as coisas dessa forma - ou seja mais simples do que eu no seu modo de ver a vida. A arte existe para ser sentida, jamais entendida -- este é o meu bordão. A gente pode não gostar do que vê, mas não significa que seja um mau trabalho. Todo o esforço artístico é válido e deve ser estimulado.

Se eu gostei?

Sim, eu gostei. Apesar de ter descido "quadrado", de ter sido difícil de assitir e digerir, pois é uma história pesada e talvez até um pouco inverossímel, eu gostei muito.

A construção do filme é fantástica - o roteiro segue, na verdade, a dinâmica de uma ópera, que por sinal esteve presente em todos os momentos da história. Os livros e citações que ele usa para os personagens (destaque para Crime e Castigo, do Dostoiévski) são perfeitamente amarrados. Confesso que primeiro eu achei que a história era um pouco boba. Mas depois cheguei à conclusão de que ela é o pano de fundo pra uma análise absurda do comportamento humano e uma crítica sagaz pra esse mundo corporativo claustrofóbico, que nos mata sem que sequer percebamos. Aliás, destaque para a cena do Chris se sentindo "claustrofóbico" diante do momento e da ansiedade do porvir e, mais do que isso, claustrofóbico em sua própria vida. Também para a mensagem implícita de que o mundo corporativo é apenas uma entre milhares de possibilidades de se ganhar dinheiro e sobreviver e viajar e ter coisas - e ser feliz profissionalmente. Abrir mão do que realmente somos pode custar muito mais caro do que imaginamos. E apesar da sorte ser uma jogada da vida que pode nos ajudar ou prejudicar, ele deixou bem claro que a nossa felicidade plena não existe. A vida é feita de momentos, não podemos nos perder do agora e o que somos é o resultados do que escolhemos - tendo boa ou má sorte.

Pra concluir (se é que há uma conclusão), o filme é gravado em Londres. E trouxe muito do que eu estou indo procurar por lá. Na verdade eu acho que vou fazer o caminho oposto do Chris - sair da vida claustrofóbica e encontrar quem eu realmente sou. Acho que é mais simples do que eu estou pensando e sei que a viagem, na verdade, é dentro de mim. De qualquer forma, meu lado mais frívolo garante que viajar dentro de mim com um cenário londrino à volta será bem mais divertido e estimulante. :)

Tuesday, February 21, 2006

Preocupação parnasiana

Descobri que faço parte da geração isqueirinho.
Ontem, aos prantos, vendo o U2 naquela performance extraordinária e pensando em quantas vezes Bono assistirei ainda em 2006 europa afora, me lembrava do primeiro show que fui - Lulu Santos no Gigantinho... Isqueiros no ar, luzes apagadas, um mar de gente (porque show do Lulu na década de 90 lotava mesmo. A gente cantava e pulava com os hits dos anos 80 antes deles terem virado modinha de balonê) e a multidão cantando "eu gosto tanto de você que até prefiro esconder..."
Ontem o que brilhava no escuro eram os celulares.
Substitutos tecnológicos e menos periogosos para o isqueiro.
Safety first! (piada interna)
Me senti suuuuper moderna. :)

MANIFESTO!

ONDE ESTAO OS POSTS DE BRUNINHA QUE ESTAVAM AQUI?

CADÊ A PARIS HILTON?

ONDE ESTÃO MEUS ÓCULOS?

E não quero um blog sem graça pra nós. Vocês foram discutir linha editorial no meio de stuck in a moment, comigo chorando, emocionadíssima! Dá um tempo, né! :P Exijo outra reunião. Pode ser quarta, ou sexta.

Aguardem meus e-mails de amanhã de manhã.

:P

Cadê a WTF liberdade de expressão? hein? hein?
A cada hora, falta menos!!!

Quase não estou conseguindo trabalhar. Hoje almocei com Bruninha Gil e só pensava que gostaria de ter um msn que mandasse mensagens por ondas cerebrais a fim de que pudéssemos estabelecer uma conversa paralela àquele momento. Enfim, não dá para querer tudo!
Espero comprar meus tickets até o fim da semana. Sinto borboletas no estômago sem sequer ter encaminhado tudo pro visto.
Mas eu estou indo, entende???
Caramba, muito très hereuse, como diria o Caio.
Não, ele jamais diria très hereuse.
Primeiro por ser no feminino - e, Caio, me corrija se estiver "grafado erroneamente" (piada interna: Caio, could you spell it? :P).
Segundo pq... Caio, très hereux - grafei certo??? Hum... Soaria, no mínimo estranho. Talvez empolgado, com o humor levemente alterado para o lado positivo, se pudéssemos medir o humor em uma reta, daquelas das aulas de matemática...

Viajando na viagem
Minha queridíssima colega Carol que TEM cidadanina italiana (ela não quer casar comigo. definitivamente. seria tão mais fácil...) acabou de me mandar um super mapa de Londres online. Lógico, já é fundo de tela, claro. Mas mais do que isso: ela me chamou a atenção para a "area 1", maior concentração de coisas legais (não à toa o desenho que a demarca forma uma garrafa) e, claro, espaço garantido para os ricos (ou nem tanto) e famosos (ou nem tanto). Eu adorei a última parte e defini: nunca terei sido tão eu mesma como quando morar dentro da garrafa -- em Londres! :) O desenho abaixo ilustra a região:

Próximos passos
Ontem escrevi um e-mail para minha querida amiga belga, Salome.
Minha amigona Si tb ligou no sábado - 1 hora de call com Londres. Acho que foi a primeira vez que alguém me ligou de Londres! Foi tudo lindo, perfeito, descobri que vou ser vizinha pelo menos na primeira semana ou nos primeiros dias ou enquanto a Si me aguentar (hehehe) de uma colega de trabalho que está indo em março. A minha colega passou umas 3 vezes por mim hoje nos corredores da empresa e me chamou de vizinha. Já estou me sentindo em casa!
Well, mas agora são 16:45 e preciso preparar meu "five-o'clock-tea".
Afinal, se é para estar em Londres, tome chá como os ingleses! :)

Sunday, February 19, 2006

Esclarecimentos

Antes que aqueles que lerem este blog pensem que Bruninha está doida, conversando com macaquinhos em sua cabeça, cá estou eu. Sim, dentro em breve serei mais uma brasileira em Londres para estudar, trabalhar, prospect the British, viajar pela Europa e fazer muuuuuita festa - afinal, ninguém é de ferro.

Caio, nosso querido, gentleman e idolatrado amigo que no auge dos seus 21 anos fala /plese/ ao invés de /plis/, because he is almost a British, deve se apresentar nos próximos dias e, segundo suas próprias palavras, dominar o campinho por aqui. Coisa de gente que vai morar em Paris, sabe? O Caio fala 6 idiomas e 13 dialetos, é capaz de conversar com sua sombra e derreter os mais rijos corações - mesmo não dando a menor importância para isso. Apesar de tudo ele é uma boa pessoa e vez em quando entra na vida de seres mais comuns (vide as oportunidades em que conheceu a mim e Bruninha). :)

Anyway, somos amigos, amigos do peito amigos de uma vez (SIMONY, 1984) e queremos, no fundo, diminuir a saudade que já começou a bater através deste threesome intercontinental. Aqueles que quiserem "viajar" conosco, sentem-se, aproveitem a 'janelinha' e deixem sempre recados.

The travel has already started!

Wednesday, February 15, 2006

Fake Places

Londres não existe.

Londres não passa de uma versão moderna de "O problema não é você, sou eu". Londres é a nova moda de quem não me aguenta mais. Vamos sair? Não dá, vou para Londres. Que tal um cinema? Não posso, estou em Londres. Tu tá terminando comigo? Sim, vou pra Londres.

Segundo o Caio, se um dia eu resolvesse ir para Londres, um tsunami de pessoas fugindo de Londres ocorreria. Thanks. It's really comforting.

Mas sinceramente? Londres não passa de uma salinha branca num edifício comercial do centro de Porto Alegre. Fica ali na Andradas, por sinal. É lá que os supostos 'new-british' se escondem, porque afinal de contas eu não posso vê-los, certo?

E eles ficam lá, jogando Banco Imobiliário e falando de mim. Às vezes, eles pedem comida chinesa e entram no meu fotolog. E saem de madrugada, quando tem certeza de que eu já estou dormindo e não existe a chance de flagrá-los em Porto Alegre. Logicamente que existe um plano estruturado neste caso de emergência, algo do tipo "ahn, eu vim porque... porque era a formatura da minha irmã sabe? esqueci de te avisar". Yea. Right. As if.

Eu precisava confirmar a minha teoria, mas não queria causar um desastre demográfico (no caso de o Caio estar certo). Sendo assim, decidi enviar uma espiã de confiança à boa e velha cidade do Big Ben. E também integrei um agente extra na missão, com destino a Paris (just in case - vai que Londres era apenas o codinome do esconderijo?).

No presente momento, este blog está sendo escrito à 4 mãos - minhas e da Ari. Em breve, as duas mãos do Caio voltarão de Punta del Este, e o cast estará completo. Podemos ser encontrados em Porto Alegre, por enquanto. Num futuro não muito distante, Ari será a nossa correspondente britânica. Quanto ao Caio, ele será o contato parisiense, logo em seguida. At last, but not at least, imagino que estarei residindo em Porto Alegre pelos próximos meses(?), mas nunca se sabe.