sempre que entro no país, é a mesma coisa. passado o breve tumulto de
todos queremos sair de dentro deste avião mas o corredor é muito pequeno e precisa ir um de cada vez, chego na imigração - aquela coisa extremamente discriminatória, com uma fila para quem tem passaporte da união européia e outra fila para os que não o possuem. mas longe de mim reclamar disto! ah, não. até porque a grande maioria dos vôos entre países da europa são constituídos de pessoas com passaporte europeu. sabem o que isto quer dizer? bem, significa que passo na frente de todo mundo, pois a fila de não-europeus está sempre razoavelmente vazia.
a questão é que, quando finalmente chego no balcão para conversar com o agente da imigração, a conversa segue sempre a exata mesma ordem (independente de não ser o mesmo agente da vez anterior):
1. o agente pede para ver meu passaporte.
2. eu entrego o passaporte e fico quieta, esperando enquanto ele começa a folhear e examinar como se fosse um documento com classified information.
3. eventualmente, ele termina de folhear e fica apenas com a página do meu visto aberta. a palavra "estudante" está escrita no visto. o agente pergunta:
"estás a estudar o quê, cá em portugal?".
4. eu respondo
"publicidade e marketing", sem muita empolgação ou maiores detalhes.
5. o agente
sempre pergunta:
"e tais a gostar?".
6. sacudindo a cabeça de forma afirmativa porém incerta e com o olhar mais blasé da história dos olhares blasés, eu respondo:
"hm.. sim".
7. o agente dá um sorriso nostálgico como quem diz
"ah, estes estudantes!" e carimba meu passaporte.
legal mesmo seria se me perguntassem se tenho algum plano maquiavélico de explodir alguma coisa, se estou portando substâncias alucinógenas, ou até mesmo se perguntassem qual meu filme favorito, pra qual time de futebol eu torço ou qual desenho animado eu mais gostava de assistir quando era pequena. qualquer coisa, menos este nonsense de gostar da universidade. it's getting old, y'know.