Friday, February 29, 2008

"eu sempre quis uma casa com uma porta vermelha"



- simples, tu compra uma casa e a gente pinta a porta de vermelho.
- não, não pode ser assim! a casa já tem que vir com a porta vermelha!!
- ah daí tu complica. onde que tu vai achar uma casa com uma porta vermelha?
- tem que ter uma.

worry not, srta. ariane! gostaria de avisar que já achei a tal casa, situada em uma das inúmeras sinuosas e estreitas ruas de coimbra.

Tuesday, February 26, 2008

Essas inglesas fantasticas e suas perguntas maravilhosas...

- Ari, does one reserve a motel room, or does one just turn up & hope for the best??

Minha amiga Srta Bird ainda esta impressionadissima com a ideia do que vem a ser um motel. Ela teve contato com o 'conceito' (sim, afinal, moteis so existem em filme por aqui e sao aqueles hitchcockianos -- bem sem graca e sujos, de beira de estrada) atraves de uma amiga que foi com o namorado carioca (!) conhecer o Rio de Janeiro ha 6 meses e contou, meio chocada, meio maravilhosa, sobre as 'rooms run by hour'. Eu sou a primeira amiga brasileira da Bre e desde que nos conhecemos ja ouvi toda a sorte de perguntas acerca do assunto. As perguntas manterei em sigilo para nao destruir com a imagem puritana e a (questionavel) reputacao das inglesinhas amigas, logicamente.

Ari: manja o que eu encontrei


Bruna, veja como as coisas são: depois que a Ari bebeu o mundo disfarçada atrás daquela carinha de santa[1] e trocou selinho com almas que aqui não mencionarei, e Caio babou por seres que acabaram atuando como motoristas devido ao nível alcoólico no sangue dos donos dos carros, e a dona da festa terminou ajoelhada no banheiro vomitando, e a coisa toda evoluiu com champagne sendo tomada direto do gargalo na frente do Cord (deus...) e logo em seguida na NEO (maria...), onde Bruninha celebrava seu aniversário benloca (porque tu tava mesmo, mais que de costume, e com espelhos no teto - epa) e logo dona Ariane sumiu para aprontar das suas e no dia seguinte ninguém se lembrava de mais nada e é por isso que eu resolvi formalizar a história de dois – três? – anos atrás para a posteridade. Olá.
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[1] A coisa foi tão pesada, mind you, que houve uma troca de e-mails no dayafter para esclarecer quem ela havia beijado – porque a princípio, né dona Ariane, o pessoal tentou negar. Mas he – temos o e-mail guardado até hoje como prova.

Monday, February 18, 2008

alguém entendeu?



este é um tipo de conversa recorrente aqui em casa, começando sempre pela seguinte frase: "viram aquele outdoor do/a _________? entendeu? me explica?".

quando eu estou na frança e não entendo um outdoor, tudo bem, meu francês é meio shitty. mas é frustrante ao extremo, falar o mesmo idioma e ainda assim não entender algumas publicidades. esta daí é um bom exemplo do que estou falando - juro que procurei sentidos, referências, tudo, e não fui capaz de encontrar um significado para esta mensagem. bem que a professora de teorias da comunicação disse que para uma mensagem ser percebida com fidelidade, é preciso que o emissor e o receptor partilhem do mesmo código. eu claramente não sou fluente em português, então.

Sunday, February 17, 2008

onde eu recomendo cds para as duas pessoas que nos lêem (oi ari! oi bru!)

O que tem tocado constantemente na minha cabeça (junto de algumas vozes que eu costumo ignorar - ordens médicas) e que eu preciso (mas nem tanto, enfim) compartilhar.




Felicidades : Cuentos Borgeanos
As boas bandas 100% argentinas andam em severa baixa ultimamente. Porque Gotan Project é metade francês, e Bajofondo é metade uruguaio, e José González é metade sueco, e Federico Aubele não sustenta nada sozinho (mas deve gostar, ah isso deve). Então o novo do Cuentos Borgeanos é uma boa notícia. Bom: metade boa notícia, porque o segundo CD da banda, Misantropía, continua sendo muy mejor. Mas enfim - eles merecem só pelo nome da banda.



The Shepherd's Dog : Iron & Wine
Porque também os EUA, ultimamente (sempre?), têm deixado a desejar musicalmente. E porque são poucas bandas (cantores, enfim) que conseguem fazer do banjo e de referências à bíblia algo interessante. E porque é de uma das faixas desse CD (Innocent Bones) que saiu uma das frases mais geniais dos últimos 15 minutos: "And how it ain't one dog who's good at fucking and denying who he's thinking of".

Tuesday, February 12, 2008

Uma lady de calcas e all star...

*Picture by my British Little Grasshoper. PLPL has now an oficial photographer, isn't it cool? :D

Este post do blog da Bru esta sensacional. Sen-sa-cio-nal!!!! Ela ja ganhou o gold award do ano so pela performance fotografica. G-sus... Ela ja toma ate cha com leite! :S

Uruguay

Decidi – porque sou muito pró-decidir-coisas – que iria passar o fim de semana no Uruguay duas horas antes de pegar o ônibus para passar o fim de semana no Uruguay. Saí do trabalho e fiz uma mala[1] e corri para a rodoviária e comprei uma passagem (sobravam duas, as mais ao fundo, ao lado do banheiro). Três horas mais tarde eu estaria me odiando porque alguém havia decidido MORRER dentro do banheiro umas cinco vezes seguidas. E depois sair porta afora fazendo de conta que aquele era o cheiro normal do ônibus.
Item: Bom Ar. Ou aquele outro do guri que quer fazer cocô na casa do Pe-dri-nho.
Mas antes disso, mal começada a viagem, o comissário de bordo (whatever) veio lá da frente do ônibus com uma pilha de livros equilibrada em um dos braços. Ele ia de ser humano em ser humano perguntando “Livro?” e ouvindo um não meio perplexo. Também eu estava intrigado – desde quando se ofereciam livros num ônibus? De qualquer maneira, o comissário de bordo (enfim) parecia muito decepcionado a cada não que ouvia, então, chegada a minha vez, resolvi pelo menos olhar a seleção TTL de literatura de bordo. Começava por um romance em espanhol da Isabel Allende, e poderia já terminar por aí. Em seguida tinha um livro da Anne Rice traduzido pela Clarice Lispector, depois outro em português da Margareth Pilcher, dois do Paulo Coelho (um em português, o outro em espanhol), um sobre ioga (?) e um caderninho de palavras-cruzadas (!) já completado (!!). Agradeci e disse que ficava pra próxima. Mentira. Disse que não. Ponto. Ele foi embora meio cabisbaixo. E trouxe café.
Item: Revista Piauí. Fevereiro de 2008. Estou roubando idéias do texto do Daniel Mason. Pelo menos eu sou honesto.
Mais ou menos nesse momento da viagem (olá, que momento é esse?), o comissário de bordo (hm) pôs um DVD para tocar, um DVD do Cazuza. Não, não era um DVD do Cazuza – era um DVD em homenagem ao Cazuza. Aí, não fosse suficiente o volume alto e as legendas em espanhol (num certo ponto, traduziram “Valeu, Cazuza!” por “Valió, Cazuza!”), surge a bunda (e o resto do corpo, talvez) do Ney Matogrosso na tela, e eu acho que ele estava usando uma mini-blusa ou mini-pedaços-de-roupa, mas eu nunca saberei ao certo porque eu fiquei CEGO PARA O RESTO DA VIDA.
Item: Óculos escuros. Retinas novas.
Pausa para um lanche. Numa bandeja, de baixo para cima: proto-empanada recheada com o que talvez fosse salsicha[2], bombom, bala de goma, um garfo. Nas seis telas espalhadas pelo ônibus, o Arnaldo Antunes está pulando benloco pelo palco.
Item: Bom senso. E a frase de abertura do Discurso Sobre o Método (Descartes, seus infiéis)[3].
O golpe de misericórdia, entretanto, o que me fez pegar o ipod na mochila (ao menos isso eu tinha trazido), foi o filme que escolheram praquela viagem: O Código da Vinci. Dublado em português. Legendado em espanhol. Piada pronta sobre piada pronta. O que pode ser pior que Código da Vinci? Código da Vinci dublado em português. O que pode ser pior que Código da Vinci dublado em português? Etc. etc.
Item: fálico.

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[1] Com a estupenda característica – eu me daria conta mais tarde – de sobrar itens inúteis e faltar os essenciais.
[2] Talvez seja só eu, mas não conseguir identificar se algo é feito de salsicha ou não já diz muito sobre o que se está comendo. Mas talvez eu só esteja sendo fálico. Olá Bruna.
[3] “Inexiste no mundo coisa mais bem distribuída que o bom senso, visto que cada indivíduo acredita ser tão bem provido dele que mesmo os mais difíceis de satisfazer em qualquer outro aspecto não costumam desejar possuí-lo mais do que já possuem.” (p.1, talvez, preguiça de ir lá conferir)

Monday, February 11, 2008

Originals never fit.

Coisas bizarras acontecem quando a gente abre o coracao para o mundo. Mas hoje foi 'jesus', como diria Srta Shat.

Primeiro, decido telefonar pro Brasil para falar co--- pois entao, Caio! :)
Dai nao sei pq cargas d'agua um digito parece nao ter sido reconhecido e a gravacao com voz feminina responde a minha tentativa, em bom e claro ingles:

'this is not/ a NORMAL/ call.'
(enfase na entonacao das frases...)
'If you REALLY want to make a call to/ BRAZIL/ please try again.'

Ok, I know.
Sounds really odd.
Mas eh verdade, Inglaterra! Quando eu digo que Londres eh uma senhora metida a 'prafrentex', mas no fundo super retrograda as pessoas nao me acreditam... Hipocrisia, nao eh mesmo minha gente? Enfim, a ligacao foi completada na segunda tentativa, Caio.

Dia seguinte, entro na estacao de metro e me deparo com a foto abaixo:



Achei a piada da Levi's demais e super apropriada. Voces nao imaginam meu acesso de riso diante desse 'underground-door', sozinha, bem como as caras impavidas das pessoas pro meu acesso de riso - nao tao chocadas quanto as da imagem, afinal ve-se toda a sorte de loucos aqui nesse lugar (fauna, flora e minerais, como diria a professora de ciencias da quinta serie...). Mas me indentifiquei com a chamada da campanha e, sei la, fiz um paralelo.

Thursday, February 07, 2008

frequent flyer

sempre que entro no país, é a mesma coisa. passado o breve tumulto de todos queremos sair de dentro deste avião mas o corredor é muito pequeno e precisa ir um de cada vez, chego na imigração - aquela coisa extremamente discriminatória, com uma fila para quem tem passaporte da união européia e outra fila para os que não o possuem. mas longe de mim reclamar disto! ah, não. até porque a grande maioria dos vôos entre países da europa são constituídos de pessoas com passaporte europeu. sabem o que isto quer dizer? bem, significa que passo na frente de todo mundo, pois a fila de não-europeus está sempre razoavelmente vazia.

a questão é que, quando finalmente chego no balcão para conversar com o agente da imigração, a conversa segue sempre a exata mesma ordem (independente de não ser o mesmo agente da vez anterior):

1. o agente pede para ver meu passaporte.
2. eu entrego o passaporte e fico quieta, esperando enquanto ele começa a folhear e examinar como se fosse um documento com classified information.
3. eventualmente, ele termina de folhear e fica apenas com a página do meu visto aberta. a palavra "estudante" está escrita no visto. o agente pergunta: "estás a estudar o quê, cá em portugal?".
4. eu respondo "publicidade e marketing", sem muita empolgação ou maiores detalhes.
5. o agente sempre pergunta: "e tais a gostar?".
6. sacudindo a cabeça de forma afirmativa porém incerta e com o olhar mais blasé da história dos olhares blasés, eu respondo: "hm.. sim".
7. o agente dá um sorriso nostálgico como quem diz "ah, estes estudantes!" e carimba meu passaporte.

legal mesmo seria se me perguntassem se tenho algum plano maquiavélico de explodir alguma coisa, se estou portando substâncias alucinógenas, ou até mesmo se perguntassem qual meu filme favorito, pra qual time de futebol eu torço ou qual desenho animado eu mais gostava de assistir quando era pequena. qualquer coisa, menos este nonsense de gostar da universidade. it's getting old, y'know.